Saturday, February 18, 2012

segundo tempo

de repente, fugir tornou-se uma dignidade. já ninguém aguenta uma derrota. a persistência; a determinação e, sobretudo, a bendita paciência são hoje qualidades desprezíveis. aguentar e esperar pela próxima oportunidade consideram-se teimosias gananciosas; arrogâncias; estupidezes. miguel esteves cardoso

Wednesday, February 15, 2012

a origem da imunidade diplomática

é extraordinária a relativa imunidade que a igreja gozou todos esses anos na demonologia de nossos nacionalistas e esquerdistas. arnold toynbee, protestante, escreveu que, tendo cometido tantos crimes sem morrer, talvez a alegação de que é de origem divina seja verdadeira. paulo francis.

Wednesday, February 08, 2012

uma releitura de torquato neto?

eu sou como o vento que varre a cidade,você me conhece e não pode me ver,presente de grego,cavalo de troia,sou cobra jiboia e saci pererê. um anjo de fogo endemoniado,que vai ao cinema,comete pecado,que bebe cerveja e cospe no chão.um anjo caolho que olhou os dois lados,dormiu no presente, sonhou no passado, olhou pro futuro e me disse que não(alceu valença)

Tuesday, February 07, 2012

corre que a velhice vem ai

"Um de nossos problemas, hoje em dia, é que não estamos familiarizados com a literatura do espírito. Estamos interessados nas notícias do dia e nos problemas do momento. Antigamente, o campus de uma universidade era uma espécie de área hermeticamente fechada, onde as notícias do dia não se chocavam com a atenção que você dedicava à vida interior, nem com a magnífica herança humana que recebemos de nossa grande tradição – Platão, Confúcio, o Buda, Goethe e outros, que falam dos valores eternos, que têm a ver com o centro de nossas vidas. Quando um dia você ficar velho e, tendo as necessidades imediatas todas atendidas, então se voltar para a vida interior, aí bem, se você não souber onde está ou o que é esse centro, você vai sofrer." Joseph Campbell

Monday, February 06, 2012

redução da jornada

só quem trabalha muito, tem tempo para realizar muitas coisas. ser desocupado ocupa um tempo danado. mal sobram minutos para outras tarefas. (twitter do misterwalk @misterwalk.twitter.com)

Thursday, January 26, 2012

absurdamente violento

a violência é uma ferramenta tosca e impraticável. por isso o espírito, que não conhece a violência, permanece aquém dela: a violência do espírito é uma vitória de suavidade insuperável.

rilke, carta de 1918 (cartas do poeta sobre a vida).

Tuesday, January 17, 2012

tamanho da pica*

"O que você acredita que é um artista? Um imbecil que só tem olhos se for pintor, ouvidos se for músico, ou uma lira em todos os andares do coração se for poeta? Muito pelo contrário, ele é ao mesmo tempo um ser estético, constantemente em alerta diante dos dilacerantes, ardentes ou doces acontecimentos do mundo, refletindo-os na forma como realiza sua obra. Como seria possível desinteressar-se dos outros homens? Graças a qual indolência, dissociar-se de uma vida que eles lhe trazem de modo tão abundante? Não, a pintura não é feita para decorar apartamentos. É um instrumento de guerra ofensivo e defensivo contra o inimigo." Pablo Picasso.
* pica, caro leitor excitado ou  nauseabundo, significa também cheio de vontade de fazer ou realizar alguma coisa(portugal). agora é com você. escolha a sua é bom proveito. ou então se pique daqui.

Wednesday, January 11, 2012

quando a maioria é minoria.

a maior parte das pessoas prefere morrer a pensar; na verdade, é isso que fazem(bertrand russell)

Thursday, July 23, 2009

razões para jogar livros fora

“a primeira coisa que as mulheres fazem quando o marido morre é vender os livros dele para o sebo”.
(rubens fonseca, in nora rubi, um dos 27 contos de ela, companhia das letras)

Thursday, December 25, 2008

se dependesse de nós o que seria do outro?

Diferentes ou iguais; somos iguais somente na diferença. Ser diferente é constituir-se. Sou eu porque não sou outro, como diria o poeta, sou qualquer coisa de intermedium. Pensar a alteridade é salutar, afinal, já nos disse a psicanálise: criamos nossa identidade a partir do registro das diferenças, das nossas e dos outros; precisamos deles para "escrever-nos" por contraste ou disjunção, junção de escolhas e ressonâncias. (isabela monken veloso)

Thursday, December 18, 2008

o que a redentora fez de ti ?

terra revolvida, consciências entorpecidas e biografia reinventada. é próprio do rito agir sobre a realidade intervindo na representação que as pessoas fazem dela. a isso se chama eficácia simbólica. capacidade de reescrever a história, muitas vezes ao preço de falsificá-la com a anuência de seus, outrora, críticos severos. esmaecidos os princípios e calados os dissensos, os poderosos nunca morrem sós. levam com eles o silêncio dos que se diziam inocentes(gilson caroni filho)

Friday, December 14, 2007

vá à luta

não me sinto particularmente importante. a data (amanhã, sabado) nao é importante. a idade nao é importante. o tempo nao é importante. a arquitetura nao é importante. o que nós criamos não é importante. somos muito insignificantes. o que é importante é ser tranquilo e otimista - e levantar todas as manhas para o mesmo de sempre - a luta.
oscar niemeyer, às vesperas de completar cem anos.

Friday, November 16, 2007

vontade de poder

temos a arte para não morrermos da verdade. nietzsche.

Sunday, October 21, 2007

o amor é lindo

estou apaixonado pela mesma mulher há quarenta anos. se minha esposa descobrir, vai me matar.
henry youngman

Saturday, October 13, 2007

veja bem

a única coisa em que acredito é que precisamos ter capacidade de destruir as opiniões contrárias, baseados em argumentos ou, senão, deixar que as opiniões se expressem. opinião que precisamos destruir na porrada é opinião que leva vantagem sobre nós. não é possível destruir as opiniões na porrada e é isso precisamente que mata todo o desenvolvimento da inteligência...che(guevara)

Wednesday, December 27, 2006

metal leve

paulo coelho é o bispo edir macedo da literatura.
josé mindlin.

Sunday, December 24, 2006

con hurras!

vamos a festejarlo, vengan todos
los inocentes
los damnificados
los que gritan de noche
los que sueñan de día
los que sufen el cuerpo
los que alojan fantasmas
los que pisan descalzos
los que blasfeman y arden
los pobres congelados
los que quieren a alguien
los que nunca se olvidan
vamos a festejarlo, vengan todos
el crápula se ha muerto
se acabo el alma negra
el ladrón
el cochino
se acabo para siembre
hurra
que vengan todos, vamos a festejarlo
a no decir
la muerte
siempre lo borra todo
todo lo purifica
cualquier día
la muerte no borra nada
quedan
siempre las cicatrices
hurra
murió el cretino, vamos a festejarlo
a no llorar de vicio
que lloren sus iguales
y se traguen sus lágrimas

se acabo el monstruo prócer
se acabo para siempre
vamos a festejarlo
a no ponernos tibios
a no creer que este
es un muerto cualquiera
vamos a festejarlo, a no volvernos flojos
a no olvidar que este
es un muerto de mierda.

(obituario com hurras, do poeta uruguaio mario benedetti a propósito da morte de reagan; e por tabela dedicado a galtieri, pinochet, fidel?



Sunday, December 03, 2006

equívoco acertado

o jornalismo é uma profissão cujo objetivo "filosófico" é trazer à tona certas coisas que as pessoas não sabem. tem um compromisso com a verdade. agora, qual é o objetivo "filosófico" da publicidade? a mentira. é mentir sobre o sabonete, a maionese, a margarina, o político. fazer anúncio sobre seguro médico é uma ofensa. fico envergonhado ao ver que os bancos estão tomando dinheiro dos velhinhos e os atores da globo anunciam isso. os velhinhos pegam o dinheiro e pagam juro antecipado! é uma indecência. e por que o estado tem de fazer publicidade? o que o ministério da saúde precisa é divulgar o calendário das vacinas, coisas assim. não tenho respeito pela publicidade. os caras ficam aí se gabando de que sabem fazer slogans e passam anos para criar coisas como "coca-cola. é isso aí". de quantos slogans precisam? faço dez agora. millor fernandes

Tuesday, November 28, 2006

da civilizatória sanha

"Os europeus descobriram na América uma porção de homens descobertos e logo trataram de cobri-los".

Desejei conhecer o Mundo Novo, repleto de liberdade, dádivas e encantamento. Mas o Mundo Velho está no meu sangue, carrega-me feito um rio sujo e lamacento. Nas pequenas ações cotidianas me policio para evitar as manifestações dessa maldição européia. Mas nas próprias expressões da fala e da escrita percebo a ansiosa herança de meus ancestrais.

Quando falam da Europa e de seu conforto material, e eu aqui na selva catando moedas para pagar a conta de água e luz, sinto-me quase livre dessa onda negra que varreu continentes, devastou civilizações e jamais pediu perdão.

Como pode um ser almejar a paz e o conforto antes de alcançar o perdão de seus oprimidos e desgraçados? Não pode, é o que dizem as fibras do meu insólito entendimento. A Europa e suas adjacências permanecem falando de castigo e diabos, apoiando tiranias, como nos velhos tempos, adorando supostos representantes do deus da humildade trajados de seda e incrustados de pedrarias, enquanto no mundo selvagem os pássaros cantam todas as manhãs, livres de Jeová e das pregações insanas de seus profetas.

A Natureza é dura e cruel para com os atores do teatro humano. Ela quer, e vai tirar nossas máscaras, apesar da fanática resistência. Um siriri cantando livre, sentado no tronco seco da guabiroba, nu e desprovido de toda crença e de toda posse, é uma ofensa para o espírito europeu disseminado nessas plagas. O polonês e o italiano que correm em meu sangue invejam a majestade despojada do siriri.

Vejo nos filmes como se amarravam em roupas os nossos ancestrais, a cada século mais amarfanhados para esconder as vergonhas, e ainda hoje nos amarramos em novos e sofisticados andrajos. Criaturas amaldiçoadas, talvez, pelos nossos próprios pecados seculares, e a cada ano promovemos a queda e o sofrimento de novos inocentes. Orgulhamo-nos de nossas conquistas, do domínio sobre os que não sabiam brigar e das vastidões que devastamos.

Olhamos lá atrás, na descoberta das Américas, nossos ancestrais furiosos sedentos de glória. Mas olhem Bush, em que difere do velho europeu conquistador? Por que a Europa apoiou as sandices desse novo Hitler? Porque ele representa o que somos, a nossa européia incapacidade de buscar conforto sem derramamento de sangue. Entregamo-nos à velha insana sede de conquista, à realização material sustentada em esqueletos. Olhem as grandes corporações e digam onde está a diferença com os velhos feudos europeus, sustentados em mentiras, mitos e escravidão!

A civilização ocidental não se compreendeu, não pediu perdão por seus crimes e não se perdoou. Assenta-se em conquistas materiais, feito uma galinha alucinada tentando chocar um ovo gorado. Ela quer, a todo custo, gerar o Homem Novo, mas ele não sairá deste ninho. Não sairá de um tubo de ensaio, muito menos de uma enciclopédia. A Natureza aguarda o sincero e honesto pedido de perdão, antes de conceder o reencontro do conhecimento humano com a verdade.

Podemos esperar a re-ligação, a religião da verdade, para um tempo futuro, quando esta adolescente humanidade estiver madura e surrada o bastante para saber-se limitada às margens da Deusa Natureza.

admirável mundo velho, do chico guil, pra carta capital

Sunday, November 05, 2006

slogan definitivo

há uma morte no seu futuro. millor fernandes.