Thursday, December 25, 2008
se dependesse de nós o que seria do outro?
Thursday, December 18, 2008
o que a redentora fez de ti ?
Friday, December 14, 2007
vá à luta
Friday, November 16, 2007
vontade de poder
Sunday, October 21, 2007
o amor é lindo
Saturday, October 13, 2007
veja bem
Wednesday, December 27, 2006
metal leve
Sunday, December 24, 2006
con hurras!
Sunday, December 03, 2006
equívoco acertado
Tuesday, November 28, 2006
da civilizatória sanha
Desejei conhecer o Mundo Novo, repleto de liberdade, dádivas e encantamento. Mas o Mundo Velho está no meu sangue, carrega-me feito um rio sujo e lamacento. Nas pequenas ações cotidianas me policio para evitar as manifestações dessa maldição européia. Mas nas próprias expressões da fala e da escrita percebo a ansiosa herança de meus ancestrais.
Quando falam da Europa e de seu conforto material, e eu aqui na selva catando moedas para pagar a conta de água e luz, sinto-me quase livre dessa onda negra que varreu continentes, devastou civilizações e jamais pediu perdão.
Como pode um ser almejar a paz e o conforto antes de alcançar o perdão de seus oprimidos e desgraçados? Não pode, é o que dizem as fibras do meu insólito entendimento. A Europa e suas adjacências permanecem falando de castigo e diabos, apoiando tiranias, como nos velhos tempos, adorando supostos representantes do deus da humildade trajados de seda e incrustados de pedrarias, enquanto no mundo selvagem os pássaros cantam todas as manhãs, livres de Jeová e das pregações insanas de seus profetas.
A Natureza é dura e cruel para com os atores do teatro humano. Ela quer, e vai tirar nossas máscaras, apesar da fanática resistência. Um siriri cantando livre, sentado no tronco seco da guabiroba, nu e desprovido de toda crença e de toda posse, é uma ofensa para o espírito europeu disseminado nessas plagas. O polonês e o italiano que correm em meu sangue invejam a majestade despojada do siriri.
Vejo nos filmes como se amarravam em roupas os nossos ancestrais, a cada século mais amarfanhados para esconder as vergonhas, e ainda hoje nos amarramos em novos e sofisticados andrajos. Criaturas amaldiçoadas, talvez, pelos nossos próprios pecados seculares, e a cada ano promovemos a queda e o sofrimento de novos inocentes. Orgulhamo-nos de nossas conquistas, do domínio sobre os que não sabiam brigar e das vastidões que devastamos.
Olhamos lá atrás, na descoberta das Américas, nossos ancestrais furiosos sedentos de glória. Mas olhem Bush, em que difere do velho europeu conquistador? Por que a Europa apoiou as sandices desse novo Hitler? Porque ele representa o que somos, a nossa européia incapacidade de buscar conforto sem derramamento de sangue. Entregamo-nos à velha insana sede de conquista, à realização material sustentada em esqueletos. Olhem as grandes corporações e digam onde está a diferença com os velhos feudos europeus, sustentados em mentiras, mitos e escravidão!
A civilização ocidental não se compreendeu, não pediu perdão por seus crimes e não se perdoou. Assenta-se em conquistas materiais, feito uma galinha alucinada tentando chocar um ovo gorado. Ela quer, a todo custo, gerar o Homem Novo, mas ele não sairá deste ninho. Não sairá de um tubo de ensaio, muito menos de uma enciclopédia. A Natureza aguarda o sincero e honesto pedido de perdão, antes de conceder o reencontro do conhecimento humano com a verdade.
Podemos esperar a re-ligação, a religião da verdade, para um tempo futuro, quando esta adolescente humanidade estiver madura e surrada o bastante para saber-se limitada às margens da Deusa Natureza.
admirável mundo velho, do chico guil, pra carta capital
Sunday, November 05, 2006
slogan definitivo
Monday, October 30, 2006
camisa de força ou correa na lucidez
Saturday, October 21, 2006
aos que virão depois de nós
Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez,
Uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia.
Que tempos são esses,
Quando falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranqüilamente a rua
Já está então inacessível aos amigos
Que se encontram necessitados?
É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso. Nada do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado.
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)
Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Ma como é que posso comer e beber,
Se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
Se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.
Eu queria ser um sábio.
Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo
E sem medo passar o tempo que se tem para viver na terra;
Seguir seu caminho sem violência,
Pagar o mal com o bem,
Não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!
Mas eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!
II
Eu vim para a cidade no tempo da desordem,
Quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens no tempo da revolta
E me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo
Que me foi dado viver sobre a terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas,
Deitei-me entre os assassinos para dormir,
Fiz amor sem muita atenção
E não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo
Que me foi dado viver sobre a terra.
III
Vocês, que vão emergir das ondas
Em que nós perecemos, pensem,
Quando falarem das nossas fraquezas,
Nos tempos sombrios
De que vocês tiveram a sorte de escapar.
Nós existíamos através da luta de classes,
Mudando mais seguidamente de países que de sapatos, desesperados!
Quando só havia injustiça e não havia revolta.
Nós sabemos:
O ódio contra a baixeza
Também endurece os rostos!
A cólera contra a injustiça
Faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós,
Que queríamos preparar o caminho para a amizade,
Não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo
Em que o homem seja amigo do homem,
Pensem em nós
Com um pouco de compreensão.

Bertold Brecht
(originalmente publicado no cemgrauscelsius.blogspot.com em 21 de fevereiro de 2006)
Monday, October 16, 2006
mas que filho da puta!
Sunday, October 08, 2006
de cu pra cima
Saturday, October 07, 2006
como somos infelizes
bertold brecht
Sunday, October 01, 2006
corpo de delito ou intenções de voto
Friday, September 29, 2006
quanto anos mesmo de perdão ?
Sunday, September 24, 2006
palavras do senhor marquês
sade, in a filosofia na alcova ou os preceptores morais, nos anos 80, em edição da gama.
Friday, September 22, 2006
manuel bandeira
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
Não quero mais saber do lirismo que não é libertação
(viagem ao âmago da palavra)